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A corrida do 4º trimestre: como lucrar com o pico de compras públicas de fim de ano

LicitAchei Inteligência
Leitura de 7 min
A corrida do 4º trimestre: como lucrar com o pico de compras públicas de fim de ano

Entre a segunda quinzena de setembro e as primeiras semanas de dezembro, o mercado de compras governamentais entra em um ritmo atípico. Órgãos públicos federais, estaduais e municipais abrem uma enxurrada de dispensas eletrônicas, publicam pregões rápidos e aderem a atas de registro de preços com uma velocidade que não se vê no primeiro semestre.

Isso não acontece por acaso nem por desespero repentino. Trata-se de uma regra da contabilidade pública brasileira conhecida como Princípio da Anualidade Orçamentária.

Para quem vende ao governo, o quarto trimestre é o período com maior volume concentrado de compras de pronta entrega do ano. Porém, disputar essas oportunidades sem entender as regras de encerramento de exercício fiscal pode transformar faturamento esperado em dor de cabeça com pagamentos represados.


Por que o governo compra tanto no fim do ano?

A regra orçamentária brasileira (Lei nº 4.320/1964, artigos 34 e 35) determina que o exercício financeiro coincide exatamente com o ano civil: começa em 1º de janeiro e termina em 31 de dezembro.

O orçamento aprovado para uma secretaria, ministério ou prefeitura tem validade para aquele ano. Se o órgão público recebeu uma dotação de R$ 500 mil para comprar materiais de escritório ou equipamentos de TI em 2026 e não emitir a Nota de Empenho até o encerramento do exercício, esse dinheiro expira e volta para o caixa geral do Tesouro.

O gestor que "deixa sobrar" orçamento corre dois riscos administrativos:

  1. Perde o recurso que poderia ter sido usado na melhoria do serviço público.
  2. Tem o orçamento da sua pasta reduzido pela cúpula no ano seguinte, sob a justificativa de que ele não precisava daquele montante.

Por isso, entre o fim de setembro e outubro, todas as secretarias e autarquias fazem uma varredura nas suas contas. O saldo que sobrou de licitações anteriores ou de projetos cancelados é imediatamente direcionado para compras ágeis antes que o prazo de emissão de empenhos se encerre.


Os canais mais usados pelo governo no 4º trimestre

Como o tempo é curto, os órgãos evitam processos licitatórios longos ou complexos. O grosso das compras de fim de ano acontece em três frentes:

1. Dispensas Eletrônicas (Art. 75 da Lei 14.133/2021)

A contratação direta por valor é o mecanismo mais rápido. Como o processo pode ser aberto e finalizado em poucos dias úteis no portal Compras.gov.br ou no PNCP, prefeituras e órgãos federais utilizam as dispensas para consumir pequenos saldos orçamentários. Em 2026, com os limites financeiros reajustados para até R$ 65.492,11 para compras/serviços e R$ 130.984,20 para engenharia, o volume dessas compras atinge o pico entre outubro e novembro.

2. Adesão a Atas de Registro de Preços ("Carona")

Se o órgão público não tem tempo de abrir um pregão do zero, ele busca atas vigentes de outros órgãos (art. 86 da Lei 14.133/2021) que já contenham o produto que ele precisa. Ele solicita a adesão, emite o empenho direto para a empresa detentora da ata e recebe o produto em semanas.

3. Pregões Eletrônicos com prazo reduzido

Para itens comuns com especificações padronizadas, os pregões correm com prazo mínimo de 8 dias úteis entre a publicação e a disputa. Editais lançados em outubro visam a assinatura de contratos antes de 30 de novembro.


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A regra de ouro: Decretos de Encerramento de Exercício

Nem todo empresário sabe, mas o prazo real para vender ao governo não vai até 31 de dezembro.

Todos os anos, governadores, prefeitos e o governo federal publicam os chamados Decretos de Encerramento da Execução Orçamentária e Financeira. Esses decretos "baixam a régua" e fixam datas-limite muito antes da virada do ano.

Geralmente, o cronograma funciona assim:

  • Até final de outubro / meados de novembro: Data-limite para emissão de novas Notas de Empenho comuns.
  • Até início de dezembro: Data-limite para entrega de mercadorias e prestação de serviços.
  • Até meados de dezembro: Fechamento do sistema contábil para liquidação de faturas e pagamentos antes do recesso.

Se você aceitar um pedido de fornecimento com entrega prevista para 28 de dezembro, corre o risco sério de encontrar o almoxarifado do órgão em recesso de fim de ano, sem fiscal disponível para atestar a Nota Fiscal.


O perigo dos Restos a Pagar: Processados vs. Não Processados

Quando uma despesa é empenhada em um ano, mas não é paga até 31 de dezembro, ela é inscrita na contabilidade pública como Restos a Pagar (RAP).

Existe uma diferença crucial que todo empresário precisa entender para não tomar calote:

Tipo de Restos a PagarO que significaSegurança de Pagamento
Processados (RPP)O produto foi entregue e a Nota Fiscal foi liquidada e atestada pelo fiscal antes de 31 de dezembro.Alta. É dívida líquida e certa reconhecida pelo Estado.
Não Processados (RPNP)O empenho foi emitido, mas o produto não foi entregue ou a NF não foi liquidada a tempo.Média/Baixa. Se o contrato atrasar, o empenho pode ser cancelado no ano seguinte.

Como se blindar:

  1. Nunca entregue mercadoria sem Nota de Empenho: Promessa verbal de gestor em novembro não tem valor jurídico. Só despache produtos com o documento de empenho em mãos.
  2. Entregue com folga de calendário: Programe entregas para até a primeira semana de dezembro. Não deixe para a última semana útil do ano.
  3. Exija o ateste imediato: Assim que o material for recebido no almoxarifado, protocole a Nota Fiscal e cobre a emissão do termo de recebimento definitivo (liquidação). Garantir a liquidação antes de 31 de dezembro garante que seu crédito seja inscrito como Restos a Pagar Processados, com pagamento assegurado no início do exercício seguinte.

Como encontrar essas oportunidades no LicitAchei

Esperar o aviso de compra chegar por e-mail no final do ano significa chegar tarde. As dispensas eletrônicas de fim de ano abrem e fecham em janelas de 3 a 5 dias úteis.

No LicitAchei, você monitora esse fluxo com três funcionalidades estratégicas:

  • Alertas de Dispensa Eletrônica: Filtre avisos de compras diretas por palavras-chave do seu produto no PNCP e receba notificações instantâneas assim que o órgão abrir o prazo de propostas.
  • Consulta de Atas vigentes: Descubra quais órgãos registraram preços para os seus produtos na sua região e antecipe possíveis pedidos de fornecimento.
  • Histórico de Compras por Órgão: Veja quais prefeituras e secretarias costumam comprar o seu item no 4º trimestre consultando os dados consolidados de contratações anteriores.

O último trimestre é a melhor janela do ano para fechar o caixa da sua empresa no azul com contratos públicos. Conecte-se ao mercado, acompanhe os prazos dos órgãos da sua região e venda com inteligência.

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